A competição dá resultados? Ela traz benefícios para uma empresa? É evidente que sim. Faz parte da natureza do ser humano competir, tanto que nos esportes, nas equipes de vendas e em todos os lugares onde a competição é estimulada os resultados realmente aparecem. O princípio é simples: você quer ser melhor que o seu oponente e por isso dá o máximo de si, muitas vezes superando suas próprias expectativas.

O problema da competição é que ela dá excelentes resultados no curto prazo, mas a médio e longo prazo traz inúmeros prejuízos. Sabe por quê? Para você ganhar alguém tem que perder. Ao longo de minha trajetória profissional acompanhei muitas empresas que tiveram problemas porque estimularam a competição entre seus colaboradores. Presenciei situação do tipo: um gerente de banco, tentando tirar clientes da agência ao lado, ambas da mesma empresa. Final da história? O cliente acabou indo embora para a concorrência.

Acontece que assim como a competição é genuína no ser humano, a cooperação também é. Precisamos de cooperação desde o nascimento para sobreviver. Os grandes autores da administração afirmam que a cooperação dá muito mais resultados que a competição, uma vez que na primeira você estimula o que o indivíduo tem de melhor e na outra, seu lado sombra.

Este ano, nas férias tive a possibilidade de conhecer o Zoológico de Lujan, na Argentina. A missão do Zoo é trabalhar para que todos possam estar juntos num mesmo local, o que significa seres humanos interagindo com animais. Não estou me referindo a animais domésticos, tão pouco cavalos, iguanas ou coelhos; trata-se da interação com felinos, elefantes, ursos, entre outros. Seu fundador Jorge Alberto Semino consegue isso estimulando a cooperação, o respeito, a interação de maneira saudável e o amor. Os visitantes entram nas jaulas sem nenhum tipo de proteção e podem inclusive alimentar leões com carne e frango ou dar mamadeira para tigres adultos.

Perguntei a Jorge se haviam felinos com temperamento difícil que ele não conseguia domesticar e a resposta foi a seguinte: “de maneira alguma. Se são criados com amor e respeito, tornam-se totalmente dóceis e sociáveis”.

Não é difícil concluir que se é possível para as feras, o mesmo ocorre com os seres humanos.  Homens e mulheres desejam fazer um bom trabalho. Se lhes for dado o ambiente adequado, eles o farão. E a grande tarefa da Liderança Transformadora  é aprender a amar seus liderados, ajudando-o a se tornar alguém melhor.

 

Márcia Luz é psicóloga, pós-graduada em Administração de

Recursos Humanos, especializada em Gestalt-terapia e mestre

em Engenharia de Produção. Também atua como coach

executiva e pessoal formada pelo ICI (Integrated Coaching

Institute).

É autora do Best Seller “Agora é pra Valer”.